Vida e memória
A história de Santos André de Soveral
Louvado seja o Santíssimo Sacramento: as últimas palavras de Mateus Moreira em Uruaçu.
Em 1645, duas comunidades católicas do atual Rio Grande do Norte viveram dias de violência que a Igreja recorda como testemunho de fidelidade. A região atravessava os conflitos da ocupação holandesa. Nesse contexto, a perseguição atingiu pessoas reunidas para viver e celebrar a própria fé; é importante recordar os fatos sem transformar o martírio em acusação contra os cristãos de hoje de qualquer tradição.
Em 16 de julho, na capela de Nossa Senhora das Candeias, em Cunhaú, o padre André de Soveral celebrava a missa com os fiéis quando os agressores invadiram o lugar. A celebração foi interrompida e muitos foram mortos. A história desses mártires não se resume ao modo como morreram: antes da violência havia ali uma comunidade que rezava, trabalhava e se reunia em torno da Eucaristia.
Em 3 de outubro, outra matança ocorreu em Uruaçu. Entre as vítimas estavam o padre Ambrósio Francisco Ferro e o leigo Mateus Moreira. A tradição preservou a profissão de fé eucarística atribuída a Mateus em seus últimos momentos: “Louvado seja o Santíssimo Sacramento”. As palavras deram voz àquilo que unia aquela comunidade no meio do medo.
Os trinta mártires de Cunhaú e Uruaçu foram beatificados em 2000 e canonizados pelo papa Francisco em 2017. Sua memória no calendário brasileiro convida a honrar pessoas concretas, leigos e sacerdotes, e a defender a liberdade religiosa e a dignidade humana. A fidelidade que a Igreja celebra neles pede também que as feridas da história sejam narradas com verdade e responsabilidade.


